domingo, 3 de agosto de 2008

Coluna do Dotô - São Thomé das Letras

... Sobre meninos e lobos

Dr. Fábio J. R. Biglia
advogado, colunista e cronista

De início, espero que todos tenham tido uma boa quinzena, compartilhando seus afazeres e boas notícias. O tema de hoje era outro, porém, lembrei-me de um ditado ouvido em época de Faculdade, dito por um saudoso professor de Sociologia, que dizia mais ou menos assim: “o homem é o lobo do homem!” Ora, pensando mais no porquê de tal lembrança do que em seu significado, dei-me conta de que esse era o tema a ser tratado. Com efeito, a base de todo o ordenamento jurídico (entenda-se leis) é e sempre foi o medo e a dor. Mas, medo de quê? Medo de estranhos e medo de conhecidos (aliás, são os conhecidos que mais deveriam incutir medo, pois sabemos do que são capazes); medo da ação e medo da reação; medo de mudanças e medo da mesmice; medo da vida e medo da morte, dentre tantos outros. Porém, se é o medo o catalisador da massa, como ficam as relações sociais em que, necessariamente, é preciso a existência de confiança? Para quem quiser resposta, basta um simples passar d’olhos no esgarçamento do tênue tecido social, sobre o qual se efetuam as mais horríveis barbaridades, tudo em nome do “preservar-se”. E, nesses casos, preservação consiste em continuar o mando sobre o mando (ilimitado, se possível), com tenazes e tentáculos se estendendo por todos os setores, corrompendo e corrompendo-se obstinada- mente, ditando vida e morte como se Deus fossem. Contudo, a história nos mostra que, sempre, tais pessoas acabam por devorarem-se a si próprias (Graças!!!). Por outro lado, não há perda que venha desacompanhada de dor, de sofrimento. A dor e o sofrimento, por seu turno, fazem com que o ser humano deixe de viver na sua plenitude, roubam-lhe grande parte da auto estima, produzem-lhe, nessas circunstâncias, uma aguda impressão de abandono, de insegurança, de insuficiência da própria natureza. A plenitude é, para o homem, a sua essência. Mas tal plenitude só é alcançada na medida da satisfação de suas necessidades gregárias. Só, isolado, confinado no âmbito do próprio ego, o ser humano não passa de mero administrador de valores em processo de falência, que espera, em vão, uma resposta aos seus anseios.

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